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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SEXO,ORGASMOS E AMOR

Tinha afeto, afeição, apego,
tanta estima, ternura e aconchego.
Mas queria mais, queria sexo!

Tinha sexo, volúpia, lubricidade,
do prazer sensitivo, a diversidade.
Mas queria mais, queria a carne!

Tinha a carne, o corpo, a luxúria,
a lascívia, a volúpia, a fúria,
mas queria mais, queria orgasmos!

Tinha orgasmos, cumes, apogeus,
tantos climaces múltiplos simultâneos,
mas queria mais, queria amor, paixão!

E mesmo que fosse fugaz, momentâneo,
queria mesmo um amor sem hesitação.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

CAÇADA

insalatadiparole:

Rudolf Schneider-Rohan: Study, circa 1930. 
Não conheço seu nome ou paradeiro
Adivinho seu rastro e cheiro
Vou armado de dentes e coragem
Vou morder sua carne selvagem
Varo a noite sem cochilar, aflito
Amanheço imitando o seu grito
Me aproximo rondando a sua toca
E ao me ver você me provoca
Você canta a sua agonia louca
Água me borbulha na boca
Minha presa rugindo sua raça
Pernas se debatendo e o seu fervor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador

Eu me espicho no espaço feito um gato
Pra pegar você, bicho do mato
Saciar a sua avidez mestiça
Que ao me ver se encolhe e me atiça
Que num mesmo impulso me expulso e abraça
Nossas peles grudando de suor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador


De tocaia fico a espreitar a fera
Logo dou-lhe o bote certeiro
Já conheço seu dorso de gazela
Cavalo brabo montado em pêlo
Dominante, não se desembaraça
Ofegante, é dona do seu senhor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador



Chico Buarque